Colegas é um filme que aborda de forma inocente e poética coisas simples da vida através dos olhos de três jovens com síndrome de Down. São eles: Stalone, Aninha e Márcio, colegas que se comunicam basicamente através de frases célebres de cinema, resultado dos anos em que trabalharam na videoteca do Instituto Madre Tereza, local onde vivem.
Quando Stalone nasceu, seu pai lhe deu o nome do seu ator predileto, saiu de casa para fazer um filme em Hollywood e nunca mais voltou. Sua mãe não aguentou o peso de criar o filho sozinha, entregou-o para o Instituto e desapareceu. Márcio também era órfão de pai e mãe, mas os pais dele, diferente dos de Stalone, morreram de verdade. Já a Aninha tinha pai e mãe, mas eles não apareciam muito, só nas datas importantes, como Natal, aniversário dela e no dia de São Judas Tadeu.
É dentro desse universo de exclusão familiar, criados segundo as regras de um Instituto educacional, que essas três crianças crescem e aprendem a tirar proveito das coisas simples da vida. Desta forma o cinema exerce um verdadeiro fascínio sobre os três. Na ótica deles, a videoteca da escola representa o acesso a um mundo onde tudo é possível. Justamente por isto, passam o dia encantados com a vida dos personagens dos seus filmes prediletos. Stalone, Aninha e Márcio conhecem a fundo cada frase de filme, cada gesto de um ator importante e é esta paixão em comum que os une pra sempre em uma forte amizade.
Na videoteca não tem muita coisa pra fazer, por isso ficam o dia todo absorvidos com as histórias dos filmes que assistem – realidade muito presente na vida diária de jovens com Down, na qual o mundo lúdico deles acaba preenchendo as lacunas criadas pela falta de inclusão social e perspectivas de futuro desses jovens.
Assim acabam indo além. Inspirados por um dos seus filmes prediletos, “Thelma e Louise”, os três amigos partem, literalmente, em uma grande aventura rumo ao mundo “proibido”. Com o velho carro do jardineiro, os três amigos fogem do Instituto em busca dos seus sonhos. Stalone quer conhecer o mar, Aninha procura um marido para se casar e Márcio precisa voar.
Com frases propositadamente decoradas dos filmes que viram, eles vivem essa aventura misturando o real com o imaginário e acabam assim percorrendo caminhos inusitados em busca dos seus sonhos – como se tudo não passasse de uma eterna brincadeira de cinema.
Ao longo da viagem acabam se metendo em inúmeras confusões e verdadeiros perigos. Mascarados e com uma arma de brinquedo em punho, assaltam pequenos estabelecimentos para pegar os itens que julgam essenciais para a sua viagem: guloseimas, ursinho de pelúcia e revista masculina.
A jornada é embalada ao som de Raul Seixas, o cantor que os três idolatram. Assim descobrem a liberdade e o prazer de saírem juntos em busca daquilo que mais desejam.
Paralelo a este mundo de poesia, a fuga dos três continua sendo alvo de buscas, atraindo a atenção da polícia e até da imprensa que começa a cobrir o fato, refazendo o percurso dos viajantes através de pistas, relatos de testemunhas e entrevistas com diversas pessoas que interagiram com o trio.
Dois investigadores que estão sob o olhar atento da corregedoria por seus atos violentos na última operação que tiveram, como castigo, são designados para acharem os fugitivos. O roteiro se desenvolve em meio a esse contra-ponto da ingenuidade dos nossos heróis e a malícia da dupla de investigadores, criando com o tempo uma simpatia dos policias para com os fugitivos que, a cada momento, se mostram mais espertos do que se imaginava. A história ganha visibilidade na mídia e até seu Arlindo – dono do carro no qual o trio fugiu – aparece na TV dando entrevista para um jornal sensacionalista. Os internos do Instituto acompanham com euforia e orgulhosos a aventura dos três pela televisão.
O acaso faz com que os três cheguem a uma praia e assim Stalone realiza primeiro o seu desejo. Lá molham os pés, descobrem o gosto e o tamanho do mar, fazem guerra de areia e se divertem como crianças. Porém, aquilo que era para criar uma eterna felicidade no coração de Stalone serve também como martírio por saber que seu amor platônico por Aninha está prestes a ficar para sempre apenas em sua cabeça, já que o próximo sonho é arrumar um marido pra ela. Depois de muita procura, diante de um pôster de um cover do Raul Seixas, ela escolhe o sósia do cantor para se casar, mas como era de se esperar, o casamento entre os dois não acontece e Aninha acaba sofrendo com isso. Stalone, para proteger a amada, arrisca sua vida e como recompensa ganha dela o convite para ser seu noivo. Com uma cortina presa na cabeça, improvisando um véu, os dois casam-se em uma ponte deserta, tendo apenas Márcio como testemunha.
Após a cerimônia na ponte os três vão para uma festa em uma fazenda próxima comemorar o casamento. Lá se divertem e o casal termina a comemoração em uma noite de núpcias dentro da carroceria de um caminhão.
No dia seguinte vão conhecer a cidade grande. Passam o dia se divertindo com as novidades que existem na cidade e almoçam em um restaurante bem chique. No restaurante causam um constrangimento enorme pelo tom de voz com que falam e pelos inúmeros pedidos que fazem. O constrangimento é tal que faz com que o maitre tente expulsá-los dali.
Aninha veste a máscara e, para não pagar a conta, simula um assalto com o revólver de plástico. Porém o assalto coincide com a chegada dos investigadores e da polícia que, pensando se tratar de perigosos assaltantes, atira contra Aninha. Márcio, prevendo o tiro, pula na frente e recebe a bala no peito. A brincadeira acaba e Márcio parece morrer. Ele fecha os olhos e antes de ser retirado pela maca diz para os amigos, com um sorriso no rosto, que finalmente está voando. Uma semana se passa e um avião levando Stalone, Aninha e os investigadores decola da cidade grande. De repente para surpresa do expectador, Márcio, com o peito enfaixado, aparece entre eles. Stalone então alerta o amigo que olha para as nuvens: “Você está voando Márcio, você está voando”. Assim, o último sonho que faltava se realiza.
No final percebemos que tudo isso era uma história que seu Arlindo, o jardineiro do Instituto, contava para os três dormirem.
Com um cuidado cinematográfico intenso, uma elaborada pesquisa de locações, uma fotografia refinada, um elenco especial muito bem trabalhado, um requinte na direção de arte e figurino, Colegas revela o quão mágico e surpreendente é o mundo dos indivíduos com síndrome de Down, desmistificando lendas a respeito de suas limitações. Com isto, promove reflexões sobre inclusão social, resgatando valores culturais e sociais de um grupo muitas vezes colocado à margem.
Os bons personagens dramáticos de uma história são quase sempre desajustados, excluídos e aqui, de certa forma, os personagens são os próprios atores, o que torna essa história mais excitante e verdadeira. Os personagens e os atores têm as virtudes e limitações deles mesmos. Vistos pelo mundo como cômicas aberrações, a recompensa é muito mais surpreendente ao nos vermos despertados por esses carismáticos indivíduos. Para isso é preciso vencer as intolerâncias e conquistar novos horizontes.
O filme é conduzido ora pela ótica delirante e alegórica de seus personagens, ora pela lógica pragmática de causa e efeito do mundo real, mas vai além, pois mostra para a nossa sociedade que esses indivíduos marginalizados por causa de um problema genético podem muito bem interpretar e assim emocionar um público capaz de sorrir e chorar com suas atuações.
Colegas é um filme que não trata esses deficientes como excepcionais e sim como seres humanos, cheios de sonhos e esperanças. É uma chance de mostrar ao mundo que não existem limites para os sonhos e que se três garotos com Down conseguem, com entusiasmo e alegria, correr atrás dos seus sonhos, por que não fazemos o mesmo? Colegas é mais que um simples filme de cinema. É algo para pensarmos depois.
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Colegas (Mates) tells the story of three young people with Down syndrome who love movies and work at the video library of the institution where they have always lived in. One day, inspired by the film “Thelma & Louise”, they decide to run away using the gardener’s old car to have a freedom experience. They travel to uncommon places in search for three simple wishes: Stalone wants to see the sea, Aninha looks for a husband and Marcio needs to fly. During this search, they embark on several adventures as if life was just a children’s play.
Amei saber q tem um filme sobre sindrome de down….fiquei mto interessada em assistir…pesquisei sobre o filme mas ñ o encontrei…gostaria de saber como posso adiquirir o filme…obrigada…a historia é mto boa…